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ANO 115 Nº 338 - PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 3 DE SETEMBRO DE 2010

Ar-condicionado limpo é fundamental

BENEFÍCIOS: manutenção resulta na economia de energia elétrica e no aumento da vida útil do equipamento
Crédito: CRISTIANO ESTRELA / CP

Por Mirella Poyastro

A falta de manutenção e de limpeza periódica em condicionadores de ar tem aumentado a disseminação de doenças respiratórias na população dos centros urbanos, que já sofrem com a poluição externa. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 40% da população urbana em todo o mundo é alérgica. No entanto, a proporção aumenta porque mesmo que a pessoa não seja alérgica, a exposição aos elementos causadores de alergias (ácaros, fungos, mofo, poeira de local fechado e bactérias), disseminados em ambiente com ventilação artificial ou climatizado, acaba sensibilizando o organismo, que reage, desencadeando uma crise alérgica manifestada por alguma doença do sistema respiratório (como rinite, sinusite, laringite, faringite e otite).

O problema é tão grave que a Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação (Asbrav) formou uma comissão para elaborar um anteprojeto de lei para regulamentar a qualidade do ar interno.

De acordo com o coordenador da comissão e diretor do Grupo Setorial Ar Condicionado da entidade, o engenheiro mecânico Cesar Augusto Jardim De Santi, a intenção é apresentar uma proposta para ser debatida, primeiramente, pela Câmara Municipal de Porto Alegre e, depois, pela Assembleia Legislativa. "A proposta para uma lei municipal deverá ser apresentada até o final deste ano", afirmou De Santi.

Em função dos grandes problemas causados pela má qualidade do ar interior, o Ministério da Saúde editou a portaria 3523/98, que estabelece normas e periodicidade para limpeza, manutenção, operação e controle dos sistemas de ar-condicionado e ventilação. "A portaria obriga os ambientes onde o número de aparelhos, cuja capacidade instalada supere 60 mil btus, a possuírem o Plano de Manutenção, Operação e Controle, o PMOC. O plano deve ter a supervisão de um técnico responsável vinculado ao sistema Confrea-Crea ou de uma empresa de instalação e manutenção de ar-condicionado também definidamente certificada", enfatizou De Santi. A resolução da Anvisa 09/03 determina a verificação da qualidade do ar ambiente a cada seis meses. Isto vale para aparelhos de janela, split e, principalmente, para sistemas de ar central.

"A falta de manutenção é foco de disseminação de doenças respiratórias. No caso dos split, como o aparelho não tem renovação de ar externo, pois é um climatizador e não um ventilador, a situação é pior. O ar só recircula no ambiente", adverte o diretor da Asbrav. O ar-condicionado central também é outra importante fonte causadora de doenças respiratórias sem a limpeza adequada. O projeto de instalação é disciplinado pela norma NBR 16401 (ABNT) e é válido para todo o país.

A saúde é o principal, mas não o único fator para manter o aparelho sempre limpo. Além de se proteger contra doenças respiratórias, fazer a limpeza periódica do equipamento com profissional especializado significa economia de energia elétrica, aumento da vida útil do ar-condicionado, menor incidência de assistência técnica e melhor custo-benefício do aparelho. No caso do central, a falta de manutenção aumenta em até 30% os gastos de energia. Já nos aparelhos de janela e split, o desperdício chega a 15%.


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Charge publicada no jornal Correio do Povo
Crédito: TACHO

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